
O matemático Euler (pronúncia: Óilér), em 1735, conseguiu provar, com clareza, que não era possível dar o tal passeio. Para demonstrar esta impossibilidade apresentou à Academia de Ciências Russa de São Petersburgo um diagrama em que fazia a seguinte analogia: à terra, representada pelas duas margens, e às duas ilhas, associou quatro pontos; às sete pontes, associou sete linhas. O diagrama era algo parecido com o da figura ao lado:
Feita tal associação, o problema das sete pontes ficou restrito a traçar o diagrama descrito, com um movimento contínuo, sem levantar o lápis do papel e sem traçar uma linha mais de uma vez.
A, B, C e D são os pontos associados à terra, que é representada pelas duas margens e as duas ilhas. São assinaladas as linhas associadas às sete pontes. Um diagrama desse tipo é simplesmente um esquema consistindo num número finito de pontos, chamados vértices, e num determinado número de linhas. Os vértices são as extremidades das linhas e nenhuma linha tem qualquer ponto comum com uma outra, exceto o vértice comum. Um vértice é par ou ímpar, conforme o número de linhas que o formam seja par ou ímpar. Um diagrama é atravessado passando-se por todas as linhas exatamente uma vez.
Euler baseou-se nas seguintes descobertas que fez:
1- Se um diagrama contém somente vértices pares, ele pode ser atravessado começando e acabando no mesmo ponto.
2- Se um diagrama contém, no máximo, dois vértices ímpares, ele também pode ser atravessado, mas não é possível voltar ao ponto de partida.
3- Se o diagrama contém 2n vértices ímpares, onde n é um número inteiro qualquer, para atravessá-lo será necessário n passagens distintas por uma mesma linha.
No diagrama da figura, que representa o passeio pelas sete pontes de Königsberg, os quatro vértices são todos ímpares, pois são extremidades de um número ímpar de linhas. Assim, como 2n = 4, n = 2 e serão necessárias duas passagens do lápis por uma das linhas para atravessar o diagrama.